sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

PEQUENOS DONS



Eu lhe digo: bem-aventurado é aquele que se expõe a uma existência nunca antes dominada, que não transcende, mas, antes se entrega à minha graça sempre transcendente. Bem-aventurados não são os iluminados, dos quais cada pergunta foi respondida e que se deleitam com seus sublimes lampejos de aguçada percepção, os maduros e prontos a quem resta somente a ação de cair da árvore. Bem-aventurados são antes os perseguidos, os assediados quem devem diariamente se ver diante de meus enigmas, incapazes de resolvê-los. Bem-aventurados são os pobres em espírito, aqueles a quem lhe falta aquela esperteza. Ai dos ricos, e ai dos duplamente ricos em espírito! Embora nada seja impossível para Deus, é difícil para o Espírito mover seus corações gordos. Os pobres são dispostos e fáceis de conduzir. Como filhotes de cachorro, não tiram os olhos da mão de seu mestre, para ver se talvez ele lhes lançará algum bocado de seu prato. Assim também, cuidadosamente, os pobres seguem meu comando de que escutem o vento ( que sopra onde quer), mesmo quando muda de direção. A partir do céu podem ler o tempo e interpretar os sinais dos tempos. Minha graça é despretensiosa, mas, os pobres se satisfazem com pequenos dons.

- Urs von Balthasar

NAUFRÁGIO DA ALMA




Quando a tempestade se faz ao redor e um silencio penetra em minh'alma, dilacerando em mil pedaços o que sobrou de mim. Minha ousadia é lançada ao chão. Sinto uma apatia me tomando por inteiro, domando as forças do meu próprio eu. Acontece de tempos em tempos e continua afogando sem pudor a parte que me faz humano, desaparecendo em uma embarcação, com o barqueiro de Dante levando-me sem compaixão. Por toda Estige o barqueiro e o passageiro justiceiro outrora nas garras dos círculos, tais círculos formando alicerces n'alma. Exorcizando todos os dias meu próprio ser. O passageiro sombrio, quem pode ver? Quem irá crer quando eu contar? Que o naufrágio que sofreu minh'alma, fora consequência do oceano de lágrimas que eu mesmo causei quando permitir me faltar a fé do Mestre. E abandonei sua embarcação por medo de lutar. Logo eu, que acreditava que minha vida estava do avesso, descobri que o avesso era o lado certo. E que não precisava mudar de barco, mas, mudar as circunstâncias que se instalaram ao redor.

- Edson Alves

domingo, 12 de fevereiro de 2012

O PODER DA MULHER NO ORIENTE MÉDIO

O fotógrafo espanhol Samuel Aranda recebeu o prêmio de foto do ano de 2011 do World Press Photo, por uma imagem de uma mulher com um véu segurando um parente ferido em seus braços, após uma manifestação no Iêmen. "A foto vencedora mostra um momento tocante, de compaixão, a consequência humana de um enorme evento, um evento que ainda está em andamento", afirmou o chairman do concurso, Aidan Sullivan. "Pode ser que nunca saibamos quem é essa mulher, embalando um parente ferido, mas juntos eles se tornaram a imagem viva da coragem do povo comum que ajudou a criar um importante capítulo na história do Oriente Médio." A mulher está praticamente toda coberta com suas vestes negras, e usa luvas de borracha enquanto conforta o parente, um homem magro sem camisa e com o rosto apoiado no pescoço dela. "Ela vale para o Iêmen, Egito, Tunísia, Líbia, Síria, por tudo o que aconteceu na Primavera Árabe", afirmou o jurado Koyo Kouoh. "Mas mostra um lado privado, íntimo do que aconteceu, e mostra o papel que as mulheres tiveram, não apenas de cuidar, mas como pessoas ativas no movimento."

"Meninas proibidas de ir à escola e condenadas ao analfabetismo. Mulheres impedidas de trabalhar e de andar pelas ruas sozinhas. Milhares de viúvas que, sem poder ganhar seu sustento sobrevivem ao invés de viver. Dependem de esmolas ou simplesmente passam fome. Mulheres com os dedos decepados por pintar as unhas. Casadas, solteiras, velhas ou moças que sejam suspeitas de transgressões - e tudo o que compõe a vida normal é visto como transgressão - são espancadas ou executadas. E por toda parte aquelas imagens que já se tornaram um símbolo: grupos de figuras idênticas, sem forma e sem rosto, cobertas da cabeça aos pés nas suas túnicas - as burqas. Quando o Afeganistão entrou no noticiário por aninhar os terroristas que bombardearam o World Trade Center e o Pentágono, essas cenas de mulheres tratadas como animais voltaram a espantar o Ocidente."
- Recorte Artigo Revista Veja.

É porém, essa visão da mulher no Oriente Médio apresenta ela como um simbolo impotente, o que definitivamente não é verdade. Há inúmeras mulheres guerreiras naquela região tantas quanto aqui no Ocidente. Esta semana, podemos presenciar a importância desta mulher naquela cultura, na construção da História daquele Povo. Uma imagem surpreendente, que definitivamente tardará a abandonar o solo de nossa memória, o chão de nossas lembranças nunca mais será o mesmo. E refletiremos profundamente nossas declarações a respeito daquilo que é distante a nossa maneira de enxergar a vida. Escreveu em nós, mesmo em silêncio, uma poesia inesquecível sobre o significado do amor e o poder da mulher no Oriente Médio. Já não importa o que existe por fora, desde que a essência sobre salte o valor da existência estereotipada e taxada por nós ocidentais e a importância de tornar cada momento uma dádiva a humanidade. Sendo ela, a imagem da paz em meio a guerra. Guerra que outros causaram como um falso pretexto de justiça. E os outros, estão aqui bem próximo a nós, acima de nossas cabeças, porém, ainda não percebemos.

- Edson Alves.

DINHEIRO E A HIGIENE MENTAL.

O que é o dinheiro? Uma medida de trabalho? Manifestação física de valor? Um instrumento de troca? A aparente simplicidade do dinheiro desaparece no momento em que você pensa nele. Existe diante de nós uma difícil tarefa de investigar a natureza abstrata do dinheiro e a forma como ele, que já foi visto como algo impuro, se transformou em moralmente neutro e até mesmo bom, lentamente dominando o mundo até colocar todos sob seu comando em uma idade do dinheiro. Quando o Mestre Jesus manda a dar a César o que é de César,  o faz demonstrando o quanto na concepção D'Ele o dinheiro era algo temporal, sem importância. Mais tarde, muitos intérpretes viram nesta passagem, erroneamente, um sinal de que o mundo material não prejudica a esfera espiritual. A ideia é simples: a economia monetária conquistou o mundo porque o dinheiro promete atender infinitamente a todos os desejos humanos. Porém, isso afastou outros valores: honra, amizade, responsabilidade, respeito a natureza e o valor do trabalho. Atualmente, a humanidade, em sua busca por dinheiro, está destruindo o planeta: tudo, de florestas a animais, está sendo monetarístico e morto, e a luta pela riqueza provocou miséria global.
- James Buchan ( Financial Times)

Plantaram em nós essa semente do mal. Um mal maior cometemos quando investimos tempo e amor nesse sistema cruel. Papel, é só papel, já diziam os antigos... Por trás dele porém, uma ambição mais antiga ainda. Domínio, poder e outras drogas que nos atordoam. Talvez a falha fora não perceber o quanto este projeto é falho. E que de queda em queda caminham quase todos rumo ao abismo. É tão fácil entender, se alguém explora, um outro alguém se torna escravo. Quando alguém mata, outro alguém morre. Se acumula sobre alguns as riquezas daquilo que outros extravasam em gastar. Essa é a lógica fatal, o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males. Bom seria que trocassem seu precioso nome por papel higiênico. Afinal, está sempre conectado a assuntos que fedem, a sujeiras e semelhantes palavrões. De alguma forma me sinto aliviado... A corrupção sobre nossos traseiros parece-nos um risco a menos com que devemos nos preocupar.
- Edson Alves

O VALOR DA INOCÊNCIA


Na infância são as diferenças que nos une. E a semelhança que não nos permite se afastar. Pois as relações são projetadas com pureza e inocência. Esse é o valor de nossa origem e o dever de toda geração que se levanta, lutar para deixar viva esta imagem, de que nem sempre estivemos em guerra contra nós mesmo. E unidos, carregamos a esperança de um futuro melhor.

- Edson Alves

sábado, 11 de fevereiro de 2012

PARTE PERFEITA DE MIM

Fico feliz em saber que ame minhas qualidades...
E triste em perceber que não nota meus defeitos.
Afinal, sou formado também por eles.
Por isso, não me ame por partes.
Nem ame uma única parte de mim. 

E ainda que eu seja só a metade daquilo que me imaginou ser...
Me aceite como sou e me ame por completo.
Pois, só assim, saberei... entenderei...
Seu amor é tão puro como verdadeiro!
E você me merece, assim como eu me mereço.

E apesar de nunca haver merecido alguém como você,
por ser para mim bem mais que imaginei.
Jamais lhe abandonarei! E viverei pra te amar...
Minh'alma gêmea, minha cara metade.
Parte perfeita de mim.

                                                                     - Edson Alves.

ÚLTIMA HORA.



Minha liberdade apela para que o tempo pare, mas, ele corre, ele passa e corre de mim. Porém, só eu não me dou conta? Não há tempo para pensar no tempo, afinal temos contas a pagar! Óbvio!!! Por que é mesmo que vendemos nosso tempo? Negociamos, o inegociável, e um crime perfeito se fez. Onde, por clareza diante da investigação, somos por hora cúmplices, em outras, assassinos. Nossa acusação, permitir que nossa alma experimente dessas atrocidades que foram montadas ao nosso redor para nos entreter. 
Atualmente, o stress se faz.  E você ainda não se deu conta... Que foi para ver o sol nascer quadrado que prenderam seus pulsos com algemas do tempo. Conquistaram o solo de sua liberdade e lhe devolveram um campo de sangue e metal torcido. Suas horas valem agora latas vazias e pratas e o leilão de vossa alma resultou em um destino fatal! O preço da traição é um veneno letal e trocar mel por fel parece tolice. E apesar disto... É o que mais se pratica entre os mortais ingênuos. Irrita saber que ainda somos os mesmos...
E por isso deixamos de viver, que pena! Perceber que a vida não é mais plena.  Quem dera os segundos de felicidades fossem eternos em nós. E a lembrança desse as mãos a esperança! No entanto, o que passou passou, não volta mais. Por trás das cortinas da existência o palco se mostra com a estréia exclusiva de "tempos modernos". A dor é sentir que a platéia, sua fiel refém, somos nós. Isso me leva a imaginar o quanto somos responsáveis por um crime contra nós mesmo. Nossa pena, gastar a vida e se gastar por ela vendo o sol nascer quadrado. E aqui estou, acompanhando os ponteiros, aprisionado no tempo que se chama hoje, sem poder me libertar rumo ao porvir. Mas, o que será que me aguarda? Para quem vive a eternidade, qualquer hora é a hora certa. E a única certeza que carrego é a incerteza de saber ao certo em que momento ocorrerá a última hora.

- Edson Alves

domingo, 5 de fevereiro de 2012

ALZHEIMER DA ALMA


Quando tudo parecer difícil ao redor... E a esperança lhe abandonar... Imagine.
Imagine que você passou sua vida inteira construindo sonhos e colhendo realizações.
Projete que todos seus passos foram dados com a firmeza de um guerreiro. E que soube escolher com a certeza de um vitorioso cada estratégia sobe um território novo e desconhecido. Por um momento, seria tão bom se você soubesse que sua vida não é obra do acaso. E que apesar disto, nem tudo possui um motivo de existir, sendo imprevisíveis os fatos. E a verdade é que precisamos estar preparados, para que por hora não sejamos surpreendidos. Observe que desafios existem, porém foram criados com data de validade. E precisa tentar... Sempre poderá superá-los. Seria tão bom se você soubesse... Que entre as surpresas que a vida nos revela, sempre há um mistério maior a ser desvendado. E que enigmas não são montados ao redor, mas, se fazem dentro de sua própria alma. Com o tempo você aprende que o Eu, não é mais importante do que o nós. E que esses... Só esses possuem o poder para desatar os nós que a vida nos deu. Logo, o fato  é que não necessita ser refém das circunstâncias e estar preso a fatos rasos, momentâneos. Então, você compreende que o passado não possui valor maior que o presente, e que... Quando as lembranças faltam, basta projetá-las adiante e o que fazer se torna um paradigma. Pois, o território do futuro é solo tão incerto quanto o passado que não quer lembrar, não é mesmo? Assim, o rumo a seguir e inevitável certamente é o que realmente importa e se chama "Aqui e agora". Por isso, ame intensamente. E admita que suas limitações podem fazer as recordações falhar. Apesar disto, nada lhe impede de viver cada dia de uma vez... Desfrutando do melhor que se pode perceber no Universo ao redor. Agora... Sem medo abrace a felicidade pois, poucas coisas na janela da existência são dádivas tão esplêndidas. E o tempo não voltará para reparar os danos, nem tão pouco irá parar para repensar suas escolhas. Na verdade não existem muitas escolhas, além do bem e do mal. Do amor e o ódio. Porém, somente o Amor vence a morte sua principal limitação, medo e desafio. Diga bem alto, se preciso grite. : Abandone minha alma, e a eternidade te esperará, o paraíso te aguarda logo ali, além da linha do horizonte.

                                                                                                            - Edson Alves




segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

MAR DA VIDA - UM DESERTO APARTE.


Muito feio falar de si, por escrito é pior, ao menos é o que diz a patrulha. Mas todo artista vive disso: Andy Warhol, Woody Allen, Domingos de Oliveira, Clarice Lispector, tantos... Mario Quintana revelou que ao longo de sua obra não há uma palavra que não seja sobre si. Ok, ele transformou o "si" em magnífica poesia. Outros camuflam as próprias histórias, fazem belas ou más metáforas. Fora disso, na escrita, já que estamos nela, a coisa se chama jornalismo e do tipo isento (existe?), ou tese científica, pesquisa, por aí. 

Há um excesso de realidade na ficção, concordo, mas o que não desce mesmo é aquela lengalenga morna que se produz para o mercado ou com olho na crítica. Quero crer que se pode tudo, contanto que instigue, encante, desarrume a gente. Digo isso assim por alto... é que dentro de mim, ultimamente, vai um turbilhão que não me deixa produzir nada muito objetivo. É minha terceira crônica para este site de ilustres, mas já não vejo como seguir sem antes despejar estas personalíssimas. E perdoem se vão cruas, sem tempero. Tenho estudado assuntos diversos a fim de ganhar conteúdo e engordar o repertório para quando for me expor artisticamente, nisso me concentro em disciplina monástica já faz meses. Cheguei a uma encruzilhada clássica, quanto mais aprendo mais se abrem vazios de conhecimento e me percebo emburrecendo com o passar dos minutos. Sou uma criatura cheio de braços numa ilha que ladeia outras de um grande arquipélago, quero alcançar novos povoados, mas meus braços nadam em direções distintas, não alcanço lugar algum. Esse é o pesadelo. Simplificando é o seguinte: não sei se leio ou se escrevo. Já esteve aqui? Há muito o que apreender, os assuntos saltam do computador, os livros se enfileiram na estante, a atração por eles é voraz, não serve a desculpa da falta de tempo porque criei um tempo que agora me atordoa com liberdade demais. Liberdade demais, eu disse isso? Disse, céus! Por outro lado, preciso inventar, quero me comunicar e não basta ir ao botequim, não se trata disso. Quero que gostem de mim, mas preciso me tirar do caminho. Posso ser muito desagradável, não presto para o tipo de contato que necessito construir; será uma ponte estreita por onde não passará muita gente. Caminhos perigosos se impõe e nada me impede de percorrê-los. Quebrei 20 ossos do corpo em aventuras físicas, por fora bela viola..., desvencilhei-me de tormentas que atravancaram-me o percurso, obrigando a exercer a profissão da ator da vida real de forma cautelosa para não escancarar vulnerabilidades enquanto destrinchava labirintos emocionais. Sei hoje que estou no ponto para um grande salto como jamais em anos anteriores. Foi necessário trocar de meio, enveredar pela literatura e seguir para a dramaturgia, e sequer pisar no palco da peça criada, mas observar de fora, como se aquilo não fosse meu. Foi necessário para me livrar de vícios protetores, de muletas técnicas, tantos mecanismos que impediam o alcance do sublime, único patamar que interessa quando o domínio é das artes. Agora estou seguro de que subirei no palco despojado, livre, a serviço de meu ofício. Levei um século para chegar aqui, apesar de não viver mais que 24 primaveras e não sei quando haverá a possibilidade de fazer o que deve ser feito, também não importa, a conquista seguirá comigo, e o que será, será. 

Enquanto isso mergulho mais e mais numa crise que afoga e me excita a cada hora do dia. De noite, durmo picado. Não estou infeliz, estou à beira de um abismo, mas me cresceram asas. Li outro dia que o homem poderá chegar aos mil anos. Me deu um cansaço mórbido imaginar a vida cheia de percalços sem fim, aquela sucessão de crises longas. A Bela Adormecida atravessou dormindo os cem anos dela, parece mais cômodo, além do mais ainda deu a sorte de ser despertada pelo príncipe e estar incólume. Hoje, já vivemos o dobro do que no século passado, e às vezes penso que seria um consolo estar no fim do ciclo. Por outro lado é tão bom dominar assuntos, esquecer e aprender de novo (haverá memória pra isso?), compreender, viajar, tocar um instrumento, saber músicas de cor, cantar bonito, cozinhar gostoso, vencer inseguranças, substituir mesquinharia por sabedoria...que maravilha o futuro! Sim, mil anos deve dar pro começo. Ou não. Estou em crise, não sei coisa alguma. E não me venham cobrar consistência, coerência, essas chatices, minha mãe já dizia: a incoerência é uma categoria lógica. Sabe-se lá o que significa...

O FUTURO DA PAIXÃO.



Era o fim de uma história de amor, dentro de mim correntes de ferro a se arrastar. Neste estado encontro uma grande dama das artes cênicas e, num ímpeto, derramo sobre ela a minha tormenta. Depois de tudo escutar, e como forma de consolo, a diva, do alto de seus oitenta anos, me diz: 
- Também estou apaixonada. Só que ele não sabe. Nem precisa saber. A paixão me faz.

                                                                                                                                              - Maite Proença

ELE TEM CURA ❤️‍🩹 PARA O CORAÇÃO FERIDO:

  Das mãos que sangram no madeiro santo, Brota o orvalho que consome o pranto. Mata em mim, ó traço purpurino, O laço vil que cega o peregri...