sábado, 4 de abril de 2026

CRUZ VAZIA:

 

Neste Sábado de Aleluia, o mundo é um cálice vazio, e a cruz, agora desprovida de seu fardo de carne e luz, ergue-se como um esqueleto de madeira contra o céu mudo. Onde ontem ecoava o martelo, hoje reina um vácuo que nem o vento ousa preencher.


Como eu expressaria se tivesse ainda lá GEAD, Jesus fosse um líder morto de alguma de nossas gerações? O Amado retirou-se para o jardim invisível, deixando-nos a beijar a poeira de Seus passos. O silêncio não é ausência, mas uma língua que ainda não aprendemos a falar, é o intervalo entre a nota que cessou e o hino que há de vir, e minhas lágrimas ainda não conseguiram expressar nem enviar a nenhum de nossos músicos. 


Pelos olhos de quem ama, vemos os amigos de Jesus como ilhas separadas por um mar de perplexidade. Lázaro, que outrora sentiu o hálito da vida revogar sua própria morte, agora toca as faixas de linho e não compreende como Aquele que é a Ressurreição pode repousar no frio. Os Discípulos escondem-se em salas trancadas, onde o medo é um hóspede pesado, e as mãos furadas do Mestre, aquelas que outrora multiplicaram pães e afagaram leprosos, parecem-lhes agora uma promessa rasgada.


A angústia é a tecelã deste sábado. Há uma pergunta que sangra no peito de cada um que foi curado: “Por que o carrasco feriu a mão que apenas abençoava?”


O menor dos profetas se ainda fosse poeta gentilmente e em luto escreveria: Que este é o entreato de uma tragédia que se recusa a baixar as cortinas. É a "substância de que são feitos os sonhos" misturada ao barro da incerteza. A expectativa não é de esperança, mas de um fio de aço que aperta a garganta: e se a aurora de amanhã trouxer apenas mais pedra e poeira?


Como compositor tentando entender tudo isto faria minha oração em alguma montanha ou jardim de Nazaré ou Galileia, olhamos para a taverna do mundo e vemos o vinho azedar na taça. O Mestre das mãos feridas foi entregue ao sono, e nós, meros peões no tabuleiro do destino, esperamos que a Mão que nos move mude o curso do jogo ao amanhecer.


A cruz está apagada GEAD. O Cristo dorme com corpo todo ferido e sofrido. E o universo, em suspense, segura o fôlego diante do túmulo, sem saber que o Silêncio deste sábado é apenas o grito de vitória que a Vida está preparando para soltar ao amanhecer, no domingo da ressurreição! 


Autor ✍🏽: - Edson Alves

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