Das mãos que sangram no madeiro santo,
Brota o orvalho que consome o pranto.
Mata em mim, ó traço purpurino,
O laço vil que cega o peregrino.
O bem que busco, fujo e não alcanço;
No mal que odeio, deito e acho descanso.
A alma quer voar por céus sagrados,
Mas os pés seguem caminhos condenados.
Olho o espelho e vejo a guerra antiga:
A carne ávida, do próprio espírito inimiga.
O cálice transborda em falso vinho,
Que embriaga a mente e perde o caminho.
A prostituição que vende o templo santo,
Cobrindo a nudez com ilusório manto.
A avareza que acumula o puro nada,
Moeda falsa na última jornada.
Erguem-se ídolos de ouro e de argila,
Enquanto a chama da verdade vacila.
O mal está diante dos meus olhos nus,
Reclamando a sombra onde deveria haver luz.
Sê o inverno que seca a raiz do meu erro,
Que quebra as algemas deste meu desterro.
Que a carne morra para o que a destrói,
E vença o amor que edifica e constrói.
— GEAD | Gerações
Nenhum comentário:
Postar um comentário